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Inadimplência condominial cresce e supera 20% na base analisada pela Communy

O que os indicadores nacionais, o cenário do Amazonas e os dados de cerca de 300 condomínios revelam sobre a pressão no caixa e a necessidade de uma gestão preventiva.

A inadimplência é um dos sinais mais preocupantes da saúde financeira de uma sociedade. Quando milhões de pessoas deixam de cumprir suas obrigações, o impacto ultrapassa o orçamento familiar e alcança empresas, prestadores de serviços e organizações que dependem de receitas recorrentes.

Os condomínios fazem parte dessa realidade. Os indicadores da população e os dados do mercado condominial apontam para um mesmo desafio: administrar despesas cada vez mais pressionadas em um ambiente de maior dificuldade de pagamento.

Na Communy, acompanhamos esse cenário por meio dos indicadores financeiros dos condomínios atendidos pela plataforma. A leitura conjunta dos dados nacionais, regionais e da nossa base mostra por que a gestão precisa deixar de apenas registrar a inadimplência e passar a monitorar sua tendência.

O cenário nacional: quase 84 milhões de brasileiros inadimplentes

O Brasil encerrou 2025 com mais de 81 milhões de pessoas inadimplentes, segundo o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa. Em agosto de 2026, o número chegou a 83,98 milhões de brasileiros com dívidas em atraso. Embora o crescimento mensal tenha desacelerado para 0,06%, o volume permaneceu em um patamar historicamente elevado.

Quando uma família compromete parte significativa da renda com financiamentos, empréstimos, juros e dívidas acumuladas, sua capacidade de pagar despesas recorrentes fica limitada. As obrigações passam a disputar prioridade dentro do orçamento doméstico, e a taxa condominial participa dessa disputa.

Amazonas: um cenário que exige atenção especial

No recorte estadual de dezembro de 2025 apresentado pela Serasa, 58,25% da população adulta do Amazonas estava inadimplente. Era o terceiro maior percentual do país naquele levantamento, atrás de Amapá e Distrito Federal.

Mapa do Brasil com o percentual da população adulta inadimplente por estado em dezembro de 2025; Amazonas aparece com 58,25%
Percentual da população adulta inadimplente por estado. No Amazonas, o índice indicado é de 58,25%. Fonte informada na imagem: Serasa, dezembro de 2025.

Isso representa quase seis em cada dez adultos. A inadimplência de pessoas físicas não se transforma automaticamente em inadimplência condominial, mas existe uma conexão econômica que não pode ser ignorada: o condomínio depende da capacidade dos moradores de cumprir compromissos financeiros mensais.

Se essa capacidade é pressionada pelo endividamento, pela redução da renda disponível ou pelo aumento do custo de vida, a arrecadação condominial também pode ser afetada.

O problema já aparece nos indicadores do mercado condominial

Segundo levantamento da uCondo divulgado em outubro de 2026, a inadimplência condominial brasileira atingiu 12,5% no primeiro semestre de 2026, considerando taxas com mais de 30 dias de atraso. A Região Norte registrou 19,09%, o maior percentual entre as regiões brasileiras.

O resultado merece atenção porque folha de pagamento, segurança, limpeza, energia, água e manutenção não desaparecem quando parte dos condôminos deixa de pagar. O condomínio possui pouca margem para reduzir despesas essenciais, e a consequência é uma pressão crescente sobre o fluxo de caixa.

O que os dados da Communy revelam sobre 2026

A Communy atende aproximadamente 300 condomínios no estado do Amazonas, com cerca de 60 mil unidades cadastradas. Consolidamos a evolução mensal do indicador de inadimplência registrado nessa base entre janeiro e setembro de 2026.

Gráfico da base Communy mostrando o indicador de inadimplência subindo de 16,93% em janeiro para 20,62% em setembro de 2026
Evolução mensal do indicador de inadimplência na plataforma Communy, de janeiro a setembro de 2026.
Indicador de inadimplência na base analisada pela Communy
Mês de 2026Inadimplência
Janeiro16,93%
Fevereiro17,10%
Março17,07%
Abril17,64%
Maio18,67%
Junho19,16%
Julho19,21%
Agosto19,63%
Setembro20,62%

O indicador passou de 16,93% em janeiro para 20,62% em setembro: um crescimento de 3,69 pontos percentuais em oito meses, equivalente a aproximadamente 21,8% de aumento relativo.

Mais do que um número isolado, chama atenção a consistência da trajetória. Depois de pequenas oscilações no início do ano, houve crescimento contínuo de abril a setembro. No último mês analisado, o painel registrou um volume próximo de 10 mil unidades em situação de inadimplência, conforme os critérios utilizados pela plataforma.

Esses dados representam apenas a base analisada pela Communy. Eles não constituem uma estimativa estatística para todos os condomínios do Amazonas ou do Brasil, mas oferecem uma visão concreta da evolução do problema em operações condominiais reais.

A inadimplência de uma unidade pode afetar todo o condomínio

Na gestão condominial, a arrecadação é coletiva, mas as obrigações de pagamento são individuais. Quando uma unidade deixa de pagar sua taxa, a despesa correspondente não deixa de existir.

Considere um condomínio com 200 unidades e taxa média mensal de R$ 500. A arrecadação prevista é de R$ 100 mil por mês. Se 20% das unidades deixarem de pagar, considerando taxas iguais, surge uma diferença de R$ 20 mil entre o previsto e o recebido naquele mês.

Em três meses, a insuficiência pode chegar a R$ 60 mil caso os atrasos persistam e não haja recuperação. Enquanto isso, salários, encargos, contratos e manutenção continuam vencendo. Para equilibrar as contas, a administração pode precisar utilizar reservas, postergar investimentos, renegociar contratos ou discutir medidas adicionais de arrecadação.

A inadimplência não é apenas um problema entre o condomínio e uma unidade. Ela afeta a capacidade de planejamento e a qualidade da gestão financeira de toda a comunidade.

O maior risco está na tendência, não apenas no percentual

Acompanhar somente o saldo acumulado de dívidas é insuficiente. Uma gestão pode conhecer o valor total a receber e ainda assim não perceber que o comportamento financeiro do condomínio está se deteriorando.

Além de perguntar “quanto está em atraso?”, síndicos e administradoras precisam acompanhar:

  • se a inadimplência está aumentando ou diminuindo;
  • se o problema está concentrado em poucas unidades ou se espalhando;
  • se os atrasos são pontuais ou estão se tornando recorrentes;
  • quanto da receita mensal está efetivamente entrando no caixa;
  • qual é a capacidade de recuperação dos valores atrasados.

Para uma administradora responsável por dezenas de condomínios, identificar essas mudanças antecipadamente é fundamental. A tendência permite agir antes que o problema comprometa a operação.

O papel da tecnologia na sustentabilidade financeira

A tecnologia condominial precisa ir além da emissão de boletos, do registro de pagamentos e da geração de relatórios. Ela deve ajudar síndicos e administradoras a compreender indicadores, identificar riscos e tomar decisões melhores.

  1. Monitoramento contínuo

    Acompanhar a inadimplência por período, unidade e condomínio torna visíveis tendências e mudanças de comportamento.

  2. Inteligência na cobrança

    Organizar processos de recuperação, adequar a comunicação a cada situação e medir a efetividade das negociações.

  3. Facilidade de pagamento

    Reduzir barreiras operacionais, ampliar o acesso às informações e disponibilizar meios digitais para quitar as obrigações.

  4. Planejamento baseado em dados

    Usar o histórico real de arrecadação e inadimplência em orçamentos, projeções e decisões administrativas.

  5. Análise preventiva

    Identificar padrões de risco antes que atrasos pontuais se transformem em dívidas prolongadas.

A inteligência artificial pode contribuir para essa evolução ao transformar grandes volumes de informações financeiras em análises mais acessíveis. Mas tecnologia não substitui planejamento, responsabilidade administrativa ou relacionamento com os condôminos. Ela cria condições para que essas atividades sejam realizadas com mais eficiência.

A gestão condominial precisa ser mais preventiva

Os indicadores da economia brasileira, os números da Região Norte e os dados observados na Communy apontam para a mesma necessidade: fortalecer o planejamento financeiro.

O crescimento da inadimplência não significa que todos os condomínios enfrentarão uma crise. Mas ignorar sinais consistentes de deterioração pode transformar dificuldades administráveis em problemas estruturais.

Um dos maiores avanços da gestão condominial nos próximos anos será deixar de apenas registrar a inadimplência e começar a trabalhar de forma mais inteligente para antecipá-la, administrá-la e reduzi-la. Esse é um dos caminhos para construir condomínios financeiramente mais sustentáveis.

Fontes e metodologia

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